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Resultados maternos e perinatais de mulheres gravidas com infecção por SARS-CoV-2

 

Este estudo teve como objetivo avaliar os resultados maternos e perinatais de mulheres grávida  afetadas pelo COVID-19. É um estudo multicêntricos, incluindo mulheres SARS-CoV-2 confirmado em laboratório de 73 centros de 22 países  na Europa, Estados Unidos, América do Sul, Ásia e Austrália . Iniciou em 1 de fevereiro e encerrou em 30 de abril de 2020.

Apesar de um número crescente de casos em todo o mundo, há dados limitados a respeito de COVID-19na gravidez. Mulheres grávidas apresentam risco aumentado de doença  grave causada por vírus da Influenza e outras infecções respiratórias, devido a alterações adaptativas cardiopulmonares que ocorrem durante a gravidez, como aumento da frequência cardíaca e volume sistólico e redução da capacidade residual pulmonar, que podem aumentar o risco de hipóxia e contribuir para o aumento da gravidade. É importante saber se a COVID-19pode cursar com maior morbidade  mortalidade materna como a da população em geral.

Todas as mulheres infectadas foram diagnosticadas antes do parto, durante a gravidez. Aquelas que apresentaram resultados detectados antes da concepção ou durante o pós parto foram excluídas do estudo. Foram coletados dados a respeito do histórico de exposição recente , sinais ou sintomas clínicos, achados laboratoriais , resultados maternos e perinatais.

O desfecho primário do estudo foi uma medida composta de mortalidade e morbidade materna, incluindo pelo menos um  desses< internação em UTI, uso de ventilação mecânica ou morte. Os desfechos secundários foram aborto, natimorto, morte neonatal, morte perinatal, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro, parto cesáreo , baixo peso ao nascer, admissão em UTI Neonatal e transmissão confirmada por RT PCR neonatal.

Durante o período do estudo, 388 gestações únicas viáveis , positivas para SARS-CoV-2em resultado de swab nasofaringe de RT PCR, em 73 centros de 22 países diferentes foram incluídas no estudo. O sintoma mais comum no momento da triagem foi tosse (52,1%.) seguido de febre (44,1%,), falta de ar (15,5%), enquanto 24,2% eram assintomáticas. A tomografia de tórax foi realizada em 56 das 388 (14,4%) sendo que 45% (.80,4%) apresentaram envolvimento multifocal bilateral.

A terapia medicamento mais  utilizada foi a Hidroxicloroquina, utilizada em 90 mulheres (23,2%). Os medicamentos antivirais foram usados em 72 mulheres (.18,6%), sendo a combinação de Lopinavir e Ritonavir o tratamento antiviral mais comumente usado , totalizando 60  tratamentos (.15,5%). Não houve variações no uso de drogas por pais.

O estudo mostrou que em gestações complicadas por SARS-CoV-22, o risco de mortalidade materna foi de 0,8%, mas cerca de 11% das mulheres necessitaram de internação na UTI. Em relação ao desfecho perinatal a taxa de nascimento prematuro  foi de 26,3% e de 4,1% a taxa de morte perinatal. O risco de transmissão vertical foi desprezível , com apenas um caso confirmado pós parto. As análises multivariadas mostraram que os únicos preditores independentes do desfecho primário  medida composta de mortalidade e morbidade materna (foram os sintomas de COVID-19

 

Artigo original:

Maternal and Perinatal Outcomes of Pregnant Women with SARS-COV-2 infection   DOI: 10.1002/uog.23107