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Trazemos aqui uma compilação de artigos referentes a nossa área de atuação.

O que sabemos sobre a Covid-19

 

Introdução

O advento da pandemia do novo Coronavírus, Covid-19 provoca a comunidade cientifica não somente no sentido da descoberta da cura ou de uma vacina, mas também no sentido de mapear as consequências futuras à saúde dos pacientes acometidos, e desta forma contribuir com a elucidação do comportamento do vírus no período posterior a ocorrência da infecção, e o impacto na saúde do paciente, à médio e longo prazo.

Neste momento não existem respostas precisas no que diz respeito a mutação deste vírus, assim como a capacidade do organismo humano em desenvolver anticorpos específicos para ele, tampouco sobre o tempo desta imunidade, quando conferida.

Desta forma o que cabe aos profissionais de saúde é estudar, participar de fóruns de discussão do assunto, pesquisar artigos científicos, entre outros, para se manterem atualizados.

Já existem mais de  27 mil artigos científicos consultados no PubMed (1º de maio/2020) sobre Covid-19 ou Coronavírus. Em 2003, quando a SARS aconteceu, levou mais de um ano para se obter menos da metade de artigos conseguidos em pouco mais de um mês do surgimento da doença.

 

Histórico

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu o  alerta a respeito
de vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. Em 7 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que havia sido identificado um novo tipo de Coronavírus, com uma virulência diferente dos demais tipos de Coronavirus conhecidos até então. A nova cepa do vírus foi nomeada como “Coronavirus tipo 2”, e a doença decorrida da infecção por ele causada, de COVID-19.

Abaixo temos um mapa com a distribuição de casos pelo mundo até 08 de abril de 2020.

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Fonte: OMS e Universidade Johns Hopkins.

 

Podemos fazer um paralelo dos casos mundiais com os ocorridos no Brasil, com base nas notificações ocorridas até 04 de maio de 2020, assim como a ocorrência em cada região do Brasil, observando os dados a seguir.

  • Mundo: 3.435.894 confirmados (86.108 novos em relação ao dia anterior) 239.604 mortes (976 novas em relação ao dia anterior)
  • Brasil:  Confirmou 105.222 casos e 7.288 mortes pela doença até a tarde do dia 4 de maio de 2020 (após o fechamento do boletim da OMS nº 105).
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Fontes: SES-SP; Johns Hopkins – Coronavirus resource center https://coronavirus.jhu.edu/map.html

 

Diagnóstico

A falta de testes em quantidade que atenda toda a demanda, tem se mostrado um fator negativo no diagnóstico, controle e notificação da doença. A gravidade da não testagem impacta ainda no registro de “causa morte”, o que pode gerar uma sub notificação ou um “boom” de mortes por outras causas, suprimidas por diagnósticos somente clínicos de Covid-19.

Hoje o mundo tem a disposição o teste molecular: RT-PCR em tempo real (RT-PCR) que é o padrão ouro para a identificação do novo coronavírus. Este é realizado preferencialmente secreção nasofaríngea, entre o 3º e 7º dia do início dos sintomas.

Os testes imunológicos, teste rápido ou sorologia clássica para detecção de anticorpos, tem sido realizado comumente com critério de eleição, abrangendo:

    • Trabalhadores de serviços de saúde em atividade;
    • Trabalhadores de serviços de segurança pública em atividade;
    • Pessoa com diagnóstico de Síndrome Gripal que resida no mesmo domicílio de um profissional de saúde ou segurança em atividade;

Doença pelo Coronavírus 2019: com resultado positivo para anticorpos IgM e/ou IgG, em amostra coletada após o sétimo dia de início dos sintomas e após 72 horas assintomático.

 

Tratamentos

Os tratamentos para a Covid-19, têm sido um desafio para a comunidade médica, visto a falta de medicamentos específicos para a doença. Ainda em meio a isso, tem a polemica a respeito do uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina, que envolve desde questões cientificas até questões políticas, estas mais acaloradas no Brasil.

Atualmente nenhum medicamento foi provado como seguro e eficaz no tamento do Covid-19, nem pela Food and Drug Administration (FDA) ou por qualquer Instituição ou agência reguladora, que seja especificamente para tratar pacientes com Covid-19.

 

O uso de antirretrovirais tem sido utilizado em grupos específicos de pacientes, sendo:

  • Remdesivir - Grau de evidência III: não existem dados clínicos para recomendar a favor ou contra o uso.  Atualmente, o Remdesivir como tratamento para o Covid-19 está sendo investigado em ensaios clínicos.
  • Cloroquina ou Hidroxicloroquina - Grau de evidência III: não existem dados clínicos para recomendar a favor ou contra o uso. Se for usada Cloroquina ou Hidroxicloroquina, o paciente precisa ser monitorado, quanto a efeitos adversos, especialmente os cardiácos, mais especificamente o intervalo QTc prolongado. Existem opções.

 

Terapêuticas atualmente sob investigação, porém, somente no contexto de ensaio clínico recomenda o uso dos seguintes medicamentos para o tratamento de Covid-19:

 

    • A combinação de Hidroxicloroquina + Azitromicina (AIII) devido ao potencial de toxicidade;
    • Lopinavir / Ritonavir (AI) ou outros inibidores da protéase do HIV (AIII) 
      devido à farmacodinâmica desfavorável e a dados negativos de ensaios clínicos.
    • Modificadores de hospedeiro / terapia imunológica:

Não existem dados clínicos suficientes para recomendar a favor ou contra o uso dos seguintes agentes – Grau de Evidência III:

    • Inibidores da interleucina-6 (por exemplo, sarilumabe, siltuximabe, tocilizumabe);
    • Inibidores da interleucina-1 (por exemplo, anacinra).

Recomenda contra o uso de outros imunomoduladores, como:

    • Interferon – grau de evidência III, devido à falta de eficácia no tratamento da síndrome respiratória aguda grave (SARS) e da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) e toxicidade.
    • Inibidores da Janus quinase - JAK (por exemplo, baricitinibe) – grau de evidência III,
      devido ao seu amplo efeito imunossupressor.

 

Há algumas considerações para certos medicamentos concomitante e pacientes com Covid-19:

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) e bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) e Corticosteróides

    • Para pacientes gravemente enfermos com Covid-19;
    • Para pacientes hospitalizados e não críticos com Covid-19;
    • Para pacientes em uso de corticosteróide crônico;
    • Considerações sobre a gravidez.

Inibidores da HMG-CoA Redutase (estatinas): Pessoas com Covid-19 que recebem terapia com estatina para o tratamento ou prevenção de doenças cardiovasculares devem continuar com esses medicamentos - Grau de Evidência III;

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): não descontinuar o uso – Grau de Evidência III.

 

Vacinas

Existe uma corrida mundial para o Desenvolvimento de uma vacina, alguns especialistas consideram ter uma vacina no final de 2020, no entanto é necessário seguir os padrões internacionais de segurança, que consistem em:

    • Teste de fase I: Comprovar a segurança e eficácia do produto;
    • Teste de fase II: Objetivo de estabelecer a sua imunogenicidade;
    • Teste de fase III: Realizada em maior escala é a última fase de estudo antes
      da obtenção do registro sanitário e tem por objetivo demonstrar a sua eficácia;
    • Fase IV: Vacina disponibilizada para a população.

 

Medidas de controle

Medidas provisórias de controle, foram adotadas pelo Governo, visto que ainda não há estudos que comprovem a existência de formas de controle especificas, no entanto, as medidas já conhecidas para controle de doenças virais/respiratórias, são fortemente recomendadas.

Com destaque na lavagem das mãos, o uso de álcool gel e máscaras para a população geral.

As diretrizes do Brasil e dos EUA são:

 

Brasil (ANVISA)

  1. Medidas de prevenção e controle
  2. Precauções a ser adotadas por todos os serviços de saúde durante a assistência
  3. Higiene de mãos
  4. Capacitação para profissionais de saúde sobre o uso de EPIs e HM
  5. Processamento de produtos para saúde
  6. LIMPEZA E DESINFECÇÃO DE SUPERFÍCIES
  7. PROCESSAMENTO DE ROUPAS
  8. TRATAMENTO DE RESÍDUOS
  9. Medidas administrativas e de controle
  10. Controle do ambiente – para possibilitar acomodação adequada do paciente e precauções para isolamento

 

EUA (CDC)

  1. Minimize a chance de exposição
  2. Siga as precauções padrão e baseada na transmissão
  3. Colocação do paciente
  4. Adote precauções ao executar procedimentos de gerações de aerossóis
  5. Coleta de amostras respiratórias para diagnóstico
  6.  Gerenciar o acesso e movimento dos visitantes dentro dos serviços de saúde
  7. Implementar controle de engenharia
  8. Monitorar e gerenciar os profissionais de saúde
  9. Treinar e educar os profissionais de saúde
  10. Implementar o controle de infecção ambiental
  11. Estabelecer relatórios dentro e entre os serviços de saúde e às  autoridades de saúde pública